quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Letramento precoce

Entenda por que o letramento precoce pode ser prejudicial

Aprender a ler e a escrever antes do tempo pode excluir etapas decisivas no desenvolvimento das crianças



Autumn Reading : Stock Photo



O letramento precoce é um assunto permeado por controvérsias. Enquanto algumas instituições de ensino apostam em atividades ligadas à leitura e à escrita, outras defendem a ideia de que é preciso preparar a criança antes de abordar esse tipo de assunto.
Introduzida pelo filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925) em 1919, a pedagogia Waldorf defende que os pequenos (com até 7 anos de idade) tenham apenas uma responsabilidade na escola: brincar. Ao participar de jogos e atividades lúdicas, meninos e meninas desenvolvem diversas habilidades, entre físicas e motoras, além de um estímulo essencial para a vida: a confiança. Segundo a teoria, nessa fase o aluno tende a gastar muita energia e se prepara fisicamente - isso é fundamental para o seu desenvolvimento neurológico e sensorial. Tais capacidades refletem em domínio corporal, linguagem oral e, principalmente, contribuem para a inteligência da criança.
Em poucas palavras: na educação infantil, aprimorar essas características é mais importante do que aprender a ler o próprio nome. "Eliminar atividades que favorecem a criatividade e o pensamento pode ter consequências graves. Infelizmente, muitas dessas práticas estão sendo substituídas pela escolarização antecipada", alerta Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os ideais disseminados pelo croata têm ligação direta com estudos elaborados por outro profissional de renome na área, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934). Ele dizia que a alfabetização é resultado de um processo longo e repleto de etapas, como gestos e expressões. Ao fazer um símbolo no ar, por exemplo, a criança já se manifesta a partir de uma linguagem mais próxima da escrita. Esse aprendizado gradual é imprescindível e deve acontecer nas classes de primeira infância, sem que atividades mecânicas de leitura e escrita atrapalhem ou forcem as etapas de desenvolvimento. "O letramento exige um grau muito grande de amadurecimento neuromotor. Desse ponto de vista, a criança só estará pronta para ser alfabetizada por volta dos 6 anos", afirma Eliana de Barros Santos, psicóloga e diretora pedagógica do Colégio Global e da Escola Globinho. Segundo ela, brincar leva o aluno a compreender a si mesmo, seus sentimentos e o mundo em que vive. "Essa prática garante a formação das bases necessárias para a construção de outras linguagens", comenta.
Estimular a leitura precoce, por sua vez, compromete tal formação. Além disso, pode ocasionar problemas como sobrecarga, deficiências na coordenação motora, apatia, desinteresse, desmotivação e estresse. "Aprender a ler não é simplesmente decifrar as letras, mas sim dominar um sistema simbólico, o que exige um grande amadurecimento neuropsíquico", explica a diretora.
 
ANA
Essa discussão ganhou fôlego principalmente depois da implantação da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2013. Direcionada a estudantes do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas, a prova avalia os índices de alfabetização e letramento em língua portuguesa e matemática. O objetivo é verificar se as crianças são preparadas corretamente para uma nova fase da vida estudantil. No entanto, uma questão defendida por muitos profissionais da área é que a aplicação de uma prova desse porte pode não ser tão benéfica quanto parece e ter reflexos já nas classes de educação infantil.
De acordo com Sandra Zákia Sousa, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a ANA tende a fortalecer uma visão que já existe nas unidades escolares - a de que, na primeira infância, é preciso preparar os estudantes para a etapa seguinte, o ensino fundamental. "Fazer isso significa antecipar iniciativas relacionadas a processos de alfabetização e letramento, ou seja, o educador pula etapas importantes e passa a concentrar suas energias em algo que ainda não precisaria ser abordado", diz.
Para Freitas, testes como a ANA deveriam acontecer apenas a partir do final do ensino fundamental. O formato também poderia ser diferente. O interessante, segundo ele, é que o método avalie as políticas públicas em geral e não a escola. "Um professor sabe muito bem em quais pontos seus alunos são bons ou não", ressalta.
 
Pais podem contribuir
Ao mesmo tempo em que a instituição exerce um papel importante, os pais também devem redobrar o cuidado com o letramento precoce. De acordo com Sandra, a pressão pode começar a ocorrer dentro de casa, quando os familiares incentivam a criança a ler palavras ou a escrever nomes aleatórios. "É fundamental que todos se atentem a isso. No lar, bem como na escola, as atividades devem ser adequadas para a faixa etária", diz.
 
 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Educação para o futuro

Educação para o futuro

Uso de tecnologias no ensino precisa vencer barreiras de infraestrutura, como número insuficiente de computadores nas escolas e baixa velocidade de internet; capacitação dos professores é outro desafio

 























O cenário parece positivo: praticamente todas as escolas brasileiras têm um computador e 92% delas estão conectadas à internet. Os problemas aparecem quando os dados são analisados com um olhar mais meticuloso: o número de computadores em cada escola ainda é insuficiente, eles costumam ser instalados em locais inadequados ao uso pedagógico e a conexão à internet tem baixa velocidade nas escolas públicas. Além disso, falta capacitação aos professores para usar as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) no ensino.

O panorama vem da pesquisa TIC Educação 2012, realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação - CETIC.br, que entrevistou 1,5 mil professores de 856 escolas de todo o país (veja infográfico). E se a maioria das escolas possui computador, o número das que têm o equipamento disponível para a utilização dos alunos é bem menor. De acordo com dados do Censo Escolar 2012, 42,4% das escolas públicas urbanas e 78% das rurais não possuem laboratórios de informática.

Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, explica que as políticas públicas que levaram tecnologia às escolas tiveram sucesso relativo. "Na percepção da direção, o que mais dificulta o uso pedagógico é o número de computadores insuficiente e a baixa velocidade da internet", diz. De acordo com a pesquisa, 27% das escolas que possuem conexão à internet têm velocidade inferior a 1 Megabit por segundo (Mb/s) e apenas 17% têm velocidade de conexão superior a 8 Mb/s - em um grupo que engloba escolas públicas e privadas. "Na escola pública, a velocidade média de conexão à internet é de 1 a 2 Mb/s", conta. Na zona rural, a dificuldade é ainda maior e só 13% das escolas públicas possuem acesso à internet, de qualquer tipo, de acordo com o Censo de 2012.

Outro problema é o uso do computador, ainda restrito ao laboratório de informática, quando deveria estar presente em sala de aula, local que concentra a rotina dos alunos na escola. "Apenas 4% das escolas públicas têm computadores e internet dentro de sala de aula", relata Barbosa.

Formação docente

Mas o grande nó no uso das TICs no ensino parece ser a capacitação dos professores. Segundo a pesquisa, 28% dos professores dizem ter habilidade insuficiente ou muito insuficiente relacionada ao uso profissional de computadores e internet. "O grande desafio hoje é ter o professor treinado para fazer o uso das TICs. O número de professores que sabem usar essas tecnologias está aumentando, mas ainda é um uso instrumental, quando o necessário é aprender a utilizá-las pedagogicamente, apenas usar computador e internet a nova geração já sabe", diz Barbosa.

Nos cursos de pedagogia e licenciaturas o uso das novas tecnologias no ensino ainda é pouco abordado. Apenas 44% dos professores entrevistados no estudo do Cetic.br cursaram alguma disciplina sobre uso do computador e internet na graduação. Além das dificuldades técnicas, os professores argumentam ter pouco tempo e receio de conhecerem menos sobre as ferramentas que os alunos.

Para Lígia Leite, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Edu­cacional (ABT) e autora do livro Com Giz e Laptop - da concepção à integração de políticas públicas de Informática, os professores precisam conhecer as tecnologias disponíveis e ter sólida formação pedagógica para saber unir o conteúdo, a técnica e a didática. "E essa formação deve ser continuada porque sempre surge uma tecnologia nova, um recurso novo. É preciso fazer cursos rápidos que os habilitem a usar certa ferramenta. Além disso, em meio ao processo também é preciso fazer uma avaliação crítica para saber se as ferramentas estão sendo boas e se vale a pena continuar a utilizá-las", diz Lígia.

A ausência do uso das TIC no Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola também compromete o trabalho a ser feito pelo professor, afirma Patrícia Alejandra Behar, coordenadora do Núcleo de Tecnologia Digital Aplicada à Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e das Oficinas Tecnológicas do curso de especialização em Gestão Escolar da UFRGS. "Vejo que falta um projeto para inserção das tecnologias nas escolas, que explique como, para quê e por que usá-las. Os professores recebem tablets e não sabem o que fazer, acabam usando jogos e mais nada. É preciso integrar as TICs ao projeto pedagógico das escolas de forma positiva e desafiadora", diz.

Patrícia ressalta que muitos professores têm uma carga horária alta e não dispõem de tempo para realizar cursos. A solução, segundo ela, seria aproveitar horários em que os docentes estão na escola, mas fora de sala de aula, como os Horários de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) ou períodos de férias dos estudantes.

É essa a proposta do Crescer em rede - um guia para promover a formação continuada de professores para a adoção de tecnologias digitais no contexto educacional: orientar professores e coordenadores pedagógicos a organizarem um grupo de estudos na escola sobre o tema. O material, organizado por Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer, aborda questões como pesquisas na internet, construção de blogs, uso de recursos audiovisuais, objetos digitais de aprendizagem e trabalho colaborativo. A segurança na internet, o perigo do ciberbullying e as oportunidades trazidas pelas redes sociais também são discutidos. Dividido em dez encontros, o guia mostra como planejar essa formação, registrar o resultado das reuniões e avaliar o trabalho desenvolvido.

Programas do MEC

Para levar as tecnologias digitais para as escolas públicas, o MEC criou vários projetos, como o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), que leva computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais às escolas, o projeto Um Computador por Aluno (UCA), que distribui netbooks para os estudantes e, mais recentemente, a distribuição de tablets para os professores do ensino médio. Para promover o acesso à internet há ainda o Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE) e outras ações, como o Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado), que orientam os educadores sobre o uso dessas tecnologias. Segundo os especialistas consultados, os projetos estão na direção certa, mas a qualidade e a quantidade de sua oferta ainda são insuficientes.

"O MEC abriu os olhos para a necessidade de as escolas estarem conectadas e de as tecnologias pedagógicas serem disseminadas na rede pública de ensino. A direção é esta, mas ainda faltam investimentos em infraestrutura e suporte técnico", diz Patrícia.

Para ela, o grande problema é a falta de manutenção. Se um computador estraga ou se ocorre um problema no servidor, não há quem se responsabilize e resolva a falha. Ela também lembra que a formação dos docentes para usar as tecnologias digitais ainda não é satisfatória, apesar de a tentativa existir. "Eles sabem o quanto é importante", diz.

Para Lígia, o ponto forte dos programas desenvolvidos pelo MEC é a produção de objetos de aprendizagem, que têm uma oferta grande nas diversas áreas e são acessíveis a todos os interessados. "É uma semente lançada, mas não o suficiente. O Brasil é grande e muito diverso."

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Visita das avós à turma de Educação Infantil.

Visitas de avós às turmas de Educação Infantil

Ao longo das últimas semanas, os pequenos da Educação Infantil tiveram uma programação especial. As três turmas do Nível 1 receberam visitas de algumas avós, que foram convidadas para um bate-papo com a turma de seus netos. O assunto? Brinquedos.
As avós buscaram relatar suas experiências com as brincadeiras que marcaram suas infâncias. Muitas trouxeram brinquedos como peão, ioiô, cinco-marias, carrinhos montados com caixas de fósforo. Outras animaram os pequenos com brincadeiras de passar anel, pular corda, corrida de saco, ovo choco, etc.  
 
 
 
 
 
A atividade faz parte do projeto O que cabe no meu mundo, e é uma continuidade ao trabalho de construção de brinquedos, realizado no dia 12/5, que teve a participação das famílias das crianças.
O principal objetivo do projeto é, através de atividades lúdicas e criativas, propiciar o conhecimento dos pequenos, para que eles entendam seu papel na sociedade. 
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